segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

High and Low....at the Lows, big learning opportunities


My Coach Raul Furtado after my flat at our Training Camp

A vida de atleta amador tem altos e baixos como a nossa vida normal. Até aí... muito óbvio. Mas na vida do atleta os baixos estão fortemente ligado às lesões ou algum tipo de fraqueza ou deficiência do nosso corpo. E aí a casa cai...

Cai porque a cabeça fraqueja. Os pensamentos negativos vem em enxurrada. Não conseguimos completar os treinos nem nos volumes e muito menos nos tempos que deveriam ser executados. Com isso a performance cai. E tudo isso gera desânimo.

As lesões mais leves ocorrem com freqüência nos momentos de mudança de fase dos treinos. Especialmente quando saímos de uma fase de menor volume para maior volume.
Encarar essas lesões com positividade e investigação é fundamental. Entender se  há algo específico que está causando aquela lesão. Algum erro de postura, algum tipo de compensação por causa de alguma fraqueza muscular, uma mudança de alimentação, falta de sono, algum remédio novo, mudança de algum equipamento ou necessidade de troca de equipamento. Enfim são inúmeras as possíveis causas.

Dá vontade de xingar o corpo, tentar ignorar e seguir o plano. Mas essa não é definitivamente a melhor atitude.

As dores e as lesões, principalmente as menores, são avisos do nosso corpo de que tem algo que não ta funcionando direito.

Nesse momento tô sentido dores.

Começou com dores no tendão de aquiles no final do ano depois de subir uma mega pirambeira com a Querida (MTB que fez o Caminho de Santiago) de Paraty até Cunha. Foi um pedal duro pelo calor e por trechos muito longos sem alívio na inclinação oscilando entre 8% até coisas acima de 20%. Não senti nada durante mas com certeza o fit da Querida não estava legal. As dores no tendão de Aquiles vieram acompanhadas de uma leve contratura na panturrilha direita. Passei uma semana cuidando e estava tudo certo.

Só que no final de semana num treino de corrida que deveria ser um pouco mais longo (15km) tive uma travada forte na panturrilha oposta (a esquerda!!!) com uns 40 minutos de treino num ritmo tranquilo. Aí começa a dor de cabeça. Parei, tentei alongar, seguir a diante, mas vi que não dava. Estava há uns 2km do ponto de ônibus mais próximo e sem celular. Fui andando com calma até conseguir pegar um ônibus para voltar para casa. Por mais incrível que pareça, o nosso corpo é famoso por fazer as famosas "compensações". Era um problema identificado na panturrilha direita (na semana anterior) mas que "estourou" num novo problema na panturrilha esquerda.

Bola pra frente...

Ao longo da semana, fisioterapia, alongamento, bolsa de água quente e treinos mais leves para poder recuperar a panturrilha que travou. Tudo certo para encarar o treino de corrida mais longo do final de semana. E assim fui para fazer os 17km. Fui bem tranquilo e me sentido solto até que com uns 5km de corrida, de repente a minha panturrilha esquerda trava de novo. O mais estranho é a contratura repentina sem nenhum aviso. Não parece um fenômeno de origem muscular, mas uma falha na comunicação neuro-muscular. E com isso na cabeça. Parei, respirei, andei um pouco e decidi seguir o meu treino. Pensei comigo..."se os músculos estão bem, eles vão funcionar na marra...". E assim fui, manquei no começo, corri meio torto e depois o corpo encontrou a sua forma de criar as famosas "compensações" pra panturrilha desobediente. Completei os 17km e paguei por isso... As compensações funcionam, mas sempre cobram o seu preço.

Passei o dia todo sentindo dores em ambas as pernas a também na lombar. Dia seguinte, fisioterapia. Juntou a isso uma viagem de trabalho, mais tempo em pé do que o normal, cadeiras diferentes, cama diferente, chá de aeroporto, etc. Mas acho que teve uma "gota d´água que entornou o caldo", passei muito frio por umas 2-3hs no primeiro dia em que cheguei. Frio de ar condicionado, sentado ouvindo uma palestra. Fiquei com o corpo contraído por muito tempo. Ainda tentei me exercitar nos dias em que estava viajando, mas consegui fazer apenas de forma limitada.

Resultado final: quarta feira a noite comecei a sentir muita dor na lombar. Até para dormir foi difícil. Quinta não achava uma boa posição para ficar sentado. Tava bem ruim.

E o que mais me incomodava nessa história, além das dores, era estar acontecendo sem um grande volume de treinos. Sei lá, essas coisas nunca acontecem por um único motivo, mas por uma conjunção de fatores, mas mesmo assim eu não me conformava.

No final de semana, teria uma prova de Audax 200k em Queluz, que já estava inscrito e me comprometido a fazer com o meu amigo Alex. Pensei muito e acabei decidindo por desistir de participar dessa prova. Era uma região que queria conhecer e uma organização de Audax paulista que tinha ouvido falar muito bem. E seria uma prova pra fazer juntos. O embrião de uma parceria com um camarada no ciclismo que eu ainda boto muita fé. Mas sendo pragmático, a chance de eu não aguentar completar a prova, puxar o ritmo de pedal para baixo, de piorar a minha lesão e realmente comprometer a minha temporada de forma mais séria eram muito grandes. E numa prova que classifiquei na minha temporada com tipo C (menos importante).

Assim sendo. Decidi repousar. Depois da fisioterapia de sexta a dor aumentou muito (isso é normal, sempre piora antes de melhorar) e no sábado só tive coragem de sair da cama depois das 11hs (acho que não faço isso há muitos anos). Mesmo assim, ainda com dor. Tive a certeza de ter tomado a decisão correta ao não participar do Audax. Só fui começar a melhorar, sentir menos dor na noite de sábado. Domingo me senti melhor.

Segunda decidi fazer musculação e nadar um pouco. Mas ainda sentindo incômodo, tive dificuldade de fazer as viradas na piscina. E durante o dia, fui ao osteopata. Bingo....ele achou o problema central...as minhas vértebras da lombar estavam machucadas, tinham perdido a mobilidade. Ou seja, algumas vértebras não estavam funcionando como vértebras, estavam unidas como se fosse uma "peça" rigida, fazendo que os músculos, tendões e nervos sofrerem pela perda de mobilidade.

Recomendação: repouso durante 2 dias. Vida normal, porém sem exercícios físicos. Muita bolsa de água morna para ir soltando e acelerar o processo de recuperação. E obviamente, passei por uma boa sessão de mobilização dessas vértebras. Ou seja, muita dor para depois começar a melhorar.

Dois dias depois, já me sentindo bem melhor consegui fazer a minha série completa de musculação e funcionais sem dor.

Depois de uma semana, ainda voltei novamente no osteopata. A lombar estava muito melhor, mas o o tendão de aquiles ainda me incomodava um pouco.

Voltei aos poucos a minha rotina normal. Mas foi um susto, fiquei muito encucado com dores que mesmo no pico da temporada passada não tinha sentido. Pensei muito sobre os motivos, e entendi que essa fase de inicio de aceleração do ritmo é muito muito propícia a lesões. Que a fisioterapia de soltura dos músculos ("feijão com arroz"), deve sempre continuar em paralelo a outro tipos de fisioterapias como a osteopatia e o RPG. Outra coisa importante que aprendi, é em relação a simetria do corpo. O que quer você faça, tente ser simétrico. Se só dá para fazer para um lado, tenta fazer para o outro também. Mesmo que tenha dificuldades no começo, vale a pena. Principalmente nos esporte de endurance, onde os movimentos repetitivos são muito longos, vale a pena se policiar sempre se está forçando algum dos dois lado (e agente sempre está, pois tem um lado preferido, mesmo que inconscientemente). Um exemplo claro é a respiração na natação. A gente sempre prefere um lado para respirar nas competições, mas nos treinos, respirar para os dois lados (não numa mesma série) vale sempre a pena.