segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Everything Worked Out -- Berlin Marathon



Crossing the Finish Line

Foi uma preparação diferente. Como já era uma segunda maratona no mesmo ano e uma prova essencialmente plana, e portanto "rápida",  meus treinos não foram tão longos mas foram muito focados em tiros para melhorar a minha velocidade. No começo, fiquei meio inseguro pela falta de volume, mas, como sempre, confiei no meu técnico, Raul Furtado. E assim segui minha rotina de treinos.

Cheguei bem em Berlin, sem lesões, com a cabeça tranquila, uma boa viagem e sentindo um ótimo clima na cidade, no hotel que fiquei assim como no seu entorno.

Fui pra um hotel/flat que tinha uma pequena cozinha no apartamento. Descobri um supermercado perto muito legal e assim pude montar uma base bem legal e confortável. Aliás acho que essa é uma estrutura ideal para provas em países diferentes. Ter uma pequena cozinha, pelo menos pra mim, me traz conforto e me faz sentir em casa. Ter minha geladeira com meus iogurtes, sucos, isotônicos, etc. Assim como poder fazer um sanduiche ou pequenas e simples refeições. Ficar dependendo totalmente de restaurantes ou de serviço de quarto para comer, acho muito ruim. Ainda mais que nessa vida de atleta, a gente acaba comendo muitas vezes durante o dia.

A seguir o meu texto escrito logo após a prova, ainda com as emoções a flor da pele...

Uma maratona é sempre uma aventura. As provas longas são duras. É um sofrimento com requinte de crueldade justamente porque são longas. Uma maratona testa além de sua resistência a sua paciência e sua tenacidade.

Pra mim, já não é uma questão de ir devagar e sempre mas sim "será que aguento esse ritmo até o final". Assim é o esporte de endurance, um vôo rasante em que você quebra se forçar demais ou não atinge seus objetivos se forçar de menos. Além do domínio e força mental é necessário um profundo auto conhecimento.

Acho que fiz tudo que podia. Fiz tão bem e tão feliz que até acreditei que podia acontecer um milagre. Quebrei meu recorde pessoal mas achei que podia ter ido melhor. Rolou uma certa decepção mas já quase me conformei.

Milagres no esportes não existem. Coisas dão certo ou dão errado. Hoje tudo deu certo. Mas o tempo achei que poderia ter sido melhor, mas "foi o que foi".

A prova foi linda. Num clima emocional fantástico. Numa temperatura e umidade ótimas. Uma prova gigante com mais de 41 mil inscritos e uma organização germânica.

Chorei de felicidade na largada e em mais um ou dois momentos de derramamento energia boa. Toquei na mão de todas as crianças que consegui pra lembrar do meu filho. Como aquilo me deu forças!!! As crianças têm muita energia boa e parabéns para os pais que os levam pra esse tipo de ambiente incentivando o gosto pelo esporte.

Agora são 5h da manhã. Não consigo mais dormir. Fiquei enrolando desde as 21h pra conseguir dormir somente depois de meia noite. Já fiquei enjoado, com dor de barriga e finalmente com fome.

A endorfina circulando é muito grande mas as dores nas pernas e o mal estar não te deixam sair muito do lugar. Muita coisa passa na minha cabeça em alta velocidade e com alta volatilidade. Já pensei em nunca mais fazer um maratona como já também já pensei na próxima.

Meu técnico, Raul Furtado, tinha planejado uma prova dividida em 3 partes. Como ele mesmo disse, "faça as duas primeiras partes com a cabeça e a última com o coração". Eram duas parte com 15km cada que totalizavam 30km e uma parte final com 12km, nessa sequência. Era como levar o corpo de forma mais técnica possível nos primeiros 30km e depois deixar a emoção levar nos últimos 12.2km.

Cumpri a risca o plano. Fiz uma execução perfeita monitorando meu batimento e meu movimento nos primeiros 30km. E nos últimos 12.2km fui pura emoção, corri só no sentimento, ouvindo o meu corpo e sentindo a sua energia. O meu Garmin que foi meu "chefe" nos primeiros 30km nem recebeu o meu olhar nos últimos 12.2km.

Corri solto e o mais rápido que pude. E assim cruzei a linha de chegada com 4h 24m. Por um bom tempo fiquei perto do pacer de 4:15h por algumas vezes até fiquei na frente dele mas eu o perdi em algum ponto de hidratação.

Aliás, na minha auto avaliação foi o único ponto que acho que poderia ter sido melhor executado. Tive que desacelerar muito nos pontos de hidratação. Era muita gente pra chegar nos copinhos. E depois muitos copinhos no chão junto com o líquido derramado deixam ora muito escorregadio ou muito grudento. Ou seja além de diminuir o pace tinha que ter cuidado na reaceleração. Isso além da perda de tempo acaba causando um desgaste maior para o organismo.

No final fiquei feliz com o resultado. Fiquei conformado. A sensação de ter entregue durante a prova tudo que podia ter entregue me deixou conformado. Durante o ano, cheguei a achar que poderia fazer ainda nesse ano uma maratona abaixo ou bem próximo de 4h. Tive a certeza de que não foi possível. Talvez pudesse ter sido alguns poucos minutos melhor. Mas certamente não seria 10, 15, 20 e de jeito nenhum 24 minutos a menos. Difícil falar de futuro, mas num futuro próximo acho que não baixo essa marca, pois o ano de 2016 foi o ano que mais me dediquei a corrida. Ano que vem já será diferente. Terei menos corrida.

Mas a vida é assim. Nem sempre a gente atinge o que pensa que pode atingir. E isso não deve ser motivo de tristeza, talvez um pouco de frustração. Mas nem sempre o erro está na execução, mas na construção dos objetivos. Talvez objetivo de sub 4h fosse irreal pra mim nesse ano. Por ora estou feliz e conformado. O erro foi no sub 4h como meta. E não, o não atingimento.

Que venham mais provas!!! E, principalmente, mais treinos!!!!









quarta-feira, 15 de junho de 2016

A Trained Mind in a Trained but Sick Body -- Maratona do Rio


In pain

A Maratona do Rio era uma prova importante na minha temporada de 2016, a mais importante do primeiro semestre. O ano de 2016 está sendo dedicado a muito treinamento focado na corrida e a pouquíssimas provas, se comparado aos anos anteriores. São apenas 4 provas, sendo 2 maratonas e 2 triathlons (half Iron distance).

Os treinamentos foram bem executados, conseguimos melhorar a forma, a potência, a cadência, a alimentação, a cabeça, a hidratação, a resistência ao calor, muita coisa. Meus tempos de corrida de longa distância vieram caindo todos ao longo do processo de preparação para essa prova. Quebrei meu recorde de 10k, 18k e 21k. Estava tudo pronto pra derrubar o meu tempo de Maratona.

Fiz uma semana de taper perfeita, fiz todos os treinos, consegui dormir pelo menos mais 1 hora por dia todos os dias da semana, aumentei minha ingestão de carboidratos e sais, assim como cuidei da minha hidratação pré-prova. Tava prontinho pra ir com tudo pra Maratona.

Só que a vida sempre nos traz supresas né...

Eu que tinha perdido pro calor na prova de Caiobá, tinha treinado para encarar o calor do Rio. Mas no fundo torcia por uma temperatura mais amena, pois isso certamente contribuiria para um tempo menor de prova. E não é que esfriou no Rio na semana anterior a prova, e esfriou tanto que deixou um monte de gente gripada. Gripe geral na galera.

Na véspera da prova, acordei com muito mal estar. Corpo fraco e dolorido sem vontade de levantar da cama. Acho que fiquei até uma 11hs da manhã na cama, coisa que não me recordo de ter feito nos últimos 5 anos, pelo menos. Meu mal estar foi confirmado ao medir no termômetro a temperatura de 38 graus. Voltei pra cama e ali fiquei.

Passei o dia inteiro sem apetite, vendo filmes, ora acordado, ora cochilando. Só levantei para comer (pouco) e ir ao banheiro.

Tomei anti-termicos e a febre ia e voltava. E assim foi até umas 15hs quando decidi parar com os anti-termicos para ver como o meu corpo realmente estava. Conversei muito com o meu técnico, Raul Furtado, pra avaliarmos a viabilidade de tentar ou não correr a maratona. A vontade de correr a prova era muito grande, mas naquele momento era impossivel avaliar. Pois o meu quadro ainda era muito instável. De tardinha, como sempre, a febre voltou, descansei mais, jantei e a febre melhorou de novo. Tudo isso rolando na cama o dia todo e no máximos alguns passos pela casa.

Antes de me deitar para dormir, sempre pensando positivamente, arrumei minhas roupas da prova, arrumei minha alimentação de prova, tudo como na esperança de poder competir. Fui pra cama cansado, mas tranquilo. Ajustei o alarme e fui dormir.

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Acordei zerado!!! Sem febre... E agora? Só tinha um caminho. Me alimentar, me arrumar e partir para o ponto de largada. Procurei manter meu corpo mais aquecido do que normalmente. E mandar brasa!!!

Fiz bem os primeiro 10/15km dentro do programado o tempo estava fresco mas a umidade bem alta. Depois disso meu desempenho caiu um pouco e comecei a sentir fraquezas já no início da segunda metade da prova. Lembro me bem do ano passado, descendo a Niemeyer cheio de orgulho e alegria. Mas nesse ano, já estava sofrendo.

A partir de perto do km 21, vinha mentalizando o encontro com o meu filho que me esperava em Ipanema lá pelo km 30 da prova. Já na segunda metade da prova, eu desacelerava bem nos postos de hidratação bebia água e continuava num pace lentíssimo mis alguns metros num corpo já pesado e com baixa performance.

Encontrei meu filho. Parei, dei um beijo na cabeça dele. Juntei forças, e mais forças e segui determinado a terminar aquela prova. Meu corpo queria parar ali e ficar agarrado ao meu filho. Mas minha cabeça não deixou. A sensação de torpor e anestesiamento de um corpo que não responde direito é horrível, mas eu não quis saber. Mentalmente eu estava muito mais forte do que a derrota pro calor em Caiobá.

E assim fui, 31, 32, 33, 34,...42.2km...

Fui me arrastando, fui sofrendo, fui arrancando energia de todas as células, a cabeça estava forte, mas o corpo, apesar de bem treinado, estava fraco. É uma sensação horrivel de mal estar. Mas a cabeça é soberana e o corpo vai obedecendo. Vai tirando a energia dos diversos lugares e mandando pra pernas. Não me lembro o que se passou nos últimos kilometros, a visão começa ficar embaçada e tudo a sua volta começa a querer rodar.

Pela primeira vez tive a sensação que dei tudo que tinha pra dar.

Cheguei.

Cheguei, andei um pouco, bebi um pouco de isotonico. E sentei na calçada com muito enjoo. Vomitei várias vezes. Fiquei esgotado. Nem consegui ir ver meu filho. Passei ainda muitas horas sem me alimentar e enjoado. Só mesmo depois de tomar Plasil consegui comer.

Conclusão: valeu a pena ter forçado a barra e ter ido -- aprendi a tirar força mesmo quando achei que não tinha mais força, se não tivesse tentado a frustração de não ter tentado seria gigante. Seria mais dolorosa do que o mal que fiz para o meu corpo. Até certo ponto, o corpo recupera mais rápido que a cabeça.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Theory vs. Reality... Long Distance TH3 Triathlon, Caiobá - PR - Brazil


An Ironman with no soul
Foi uma prova que já tinha feito no ano passado, uma prova de distância equivalente ao 70.3 do Ironman.  Ano passado foi a minha estréia nessa distância com 5:32hs e 10a. colocação na categoria. Fiz o melhor que pude no ano passado, sem nenhum compromisso de tempo, vinha de uma semana de uma recuperação de lesão e não tinha certeza se conseguiria cumprir a etapa da corrida na prova. No final deu tudo certo, sofri com um calor atípico e inesperado durante a corrida, mas fiquei feliz com a prova, com o meu tempo, com a organização da prova, tudo era festa na minha estréia.

Já esse ano, com um full Ironman no curriculo, fui ao TH3 para seguir minha trajetória positiva e baixar o tempo do ano passado. Fui mais confiante, fui mais tranquilo, com a certeza de que tinha uma técnica mais apurada nas três etapas do triathlon, mas especialmente na corrida. Tanto pelo tempo de dedicação específica a corrida, como a experiência vinda de uma maratona (a do Rio) e de um full Ironman (o de Barcelona). Além disso, me sentia muito mais confiante no meu plano de hidratação, nutrição e suplementação já testado na maratona e no full Ironman. Até o hotel desse ano era melhor que o do ano passado, pois ficava a menos de 5 minutos andando do ponto de largada. Adicione-se a isso tudo, meu corpo sem nenhuma lesão relevante, devidamente descansado e bem nutrido, suplementado e hidratado para a prova. Em relação aos equipamentos, estava bem acostumado com a a Pink, minha bike TT que nem "fit" tinha no ano passado e com o "trisuit" que já tinha usado no full Ironmam. Com tudo isso feito, e bem feito, os meus objetivos de redução de tempo eram bastante agressivos. O objetivo da prova era fazer abaixo de 5h, ou sub-5 no jargão dos atletas. E o meu maior ganho de tempo deveria vir da corrida. Se realmente fizesse esses tempos, era bem provável estar entre os primeiros da categoria 45-49 anos, com chances enormes de subir ao pódio.

Bom, vamos a prova...

Já na natação, fiz um tempo pior do que esperado. Esperava fazer em uns 35 minutos, mas fiz mais de 45 minutos. E o pior, dentro da água, achei estar fazendo uma boa prova, num bom ritmo, com uma navegação acertada, mesmo com uma mudança de circuito que fez que umas das "pernas" do circuito tivesse ficado muito longa. Depois ouvi falar de correnteza, que realmente fez com que os tempos de natação tivessem acima do ano passado. Mas mesmo assim, minha colocação relativa, já tinha ficado bem aquém do esperado.

Parti para a transição já meio confuso e encucado com a minha má performance. Acho que posso ter demorado 1 a 2 minutos a mais na transição, pois demorei um pouco para tirar o swimsuit e para colocar a minhas barrinhas nos bolsos do trisuit. Mas isso é um pequeno detalhe. Parti pro pedal para compensar minha natação. Ultrapassei muita gente, analisando as tabelas de tempo, devo ter ultrapassado mais de 100 pessoas ao longo do trajeto. Fiz um pedal bem consistente, sem muitas oscilações. Melhorei o meu tempo em relação ao ano passado, mas ainda assim muito abaixo das metas que tinha estabelecido. Cheguei meio atordoado pra transição, acabei cometendo uma falta totalmente passível de punição. Vim semi desmontado da bike na linha de desmonte, e ao invés de desmontar imediatamente antes da linha de desmonte, acabei desmontando imediatamente depois da linha.

Fiz a minha transição relativamente rápida, mas já sai pra correr esperando ser punido com 5 minutos parados no penalty box. Passei pela área de punição, mas não vi meu número, pensei: "ainda não deu tempo pra avisarem da minha punição, não vou escapar na próxima volta...". Segui minha corrida, num pace razoável, com calor, mas num trecho inicial com muitas sombras. Após os 3km iniciais, sol de rachar na cabeça, sem vento e sem sombra. Segundo noticiário local, 35 graus com sensação de 40. Sei que abri o bico no km 8. Fiquei com medo de desmaiar, e a partir daí desisti de correr. Entrei num esquema de anda e corre. Na verdade, era um rasteja e se arrasta. Eram 2 voltas de cerca de 10km, quando passei novamente pelo penalty box, mais ou menos na metade da prova quase já estava torcendo para o meu nome estar por lá e descansar por 5 minutos. Mas acho que no final ficaram com pena de mim e não me aplicaram a punição. E assim fui me arrastando por longos 13km entre anda e corre até cruzar a linha de chegada.

Pensei muita coisa ao longo dessa corrida. Nem me lembro mais direito o que pensei. Mas tinha a certeza que meu tempo seria muito ruim. Mudei completamente o meu objetivo de prova. Decidi que teria que terminar de qualquer forma. Que desistir não era uma opção. Me hidratei e tomei meus sais com a maior consistência e afinco que pude. Passei a andar nas sombras que apareciam para baixar minha temperatura corporal. Passei a jogar água na minha cabeça e na nuca. Nos últimos km da prova, pode se dizer até que eu estava descansado. Acabei me poupando até demais. No entanto, definitivamente, quem me derrotou não foi o calor, foi a minha cabeça.

Acho que um misto de excesso de confiança, falta de ritmo de prova, falta de experiência de correr no calor, falta de um objetivo maior, uma série de faltas e excessos que ainda não terminei de listar. Mas com certeza acho que o mais importante foi a derrota mental. Parecia que durante a prova, aquela chama que fazia o corpo se mexer tinha se apagado. Ou melhor, estava derretendo o meu cérebro.

Tomar uma decisão, literalmente, no calor de uma prova, é muito difícil. E a decisão que tomei na hora, foi completar a prova, mesmo que ficasse em último colocado. O tempo já não estava mais importando em nada. Mas depois que se termina a prova, que se consegue fazer uma ponderação com menos emoção e mais razão, dá para ver que mesmo para as condições de calor extremo da prova, o tempo de corrida deveria ser bem melhor. E para saber "arrancar" esse corrida melhor de dentro de mim só mesmo a minha cabeça ter essa força. Mas ela se contentou em completar a corrida.

E como, segundo Huo Yuanjia, um dos maiores mestres das artes marciais na China, "o objetivo das competições não é ganhar, mas sim apontar as nossas fraquezas (...) para que assim possamos evoluir". A minha fraqueza maior foi me entregar ao calor antes mesmo dele me derrotar. Faltou mais força de vontade. Faltou alegria também, fiz uma prova sem muita empolgação, emoção, parecia um entrega técnica que eu deveria fazer. Nem parecia que eu fazia tudo aquilo por prazer, ou melhor, para ser um exemplo de vida e uma inspiração para meu filho.

Além disso tudo, muitos aprendizados podem ser tirados dessa prova. Umas delas é muito obvia, e é de conhecimento comum. Nem tudo sai como planejado. Na verdade, é muito dificil, as coisas sairem como planejado, normalmente saem diferente. Porém quando sai muito do planejamento, eu não deveria ter "chutado o balde", deveria dentro do que era possível fazer o melhor possível. E isso, definitivamente eu não fiz.

Já pensei muito nessa prova. Já pensei em desistir do triathlon por ser muito duro, mas me lembrei que estou no triathlon justamente porque é muito duro. Saí de Caiobá, pensando em não voltar mais lá. Pensei: "chega de passar calor nessa cidade...prova agora só em temperatura amena...".

Mas pensei melhor, tenho um trabalho inacabado naquela cidade.

Ano que vem estarei lá para terminar esse trabalho...

Caiobá, até o ano que vem!!!

Dessa vez de corpo e alma!!!








segunda-feira, 11 de abril de 2016

PRD -- Pre-Race Depression



Ano passado foi o ano da "primeira vez". Foi meu primeiro Triathlon Olimpico (Rio Triathlon) em março. Meu primeiro Triathlon Half Iron (TH3 Caiobá) em abril. Minha primeira Maratona (Rio) em julho. E finalizando com o meu primeiro e inesquecível Full Ironman (Barcelona) em outubro.

Sigo dentro do meu planejamento com um calendário mais enxuto em termos de competições e me aproximo da minha primeira prova importante do ano. Como serão menos provas esse ano, individualmente, as provas acabam ganhando mais importância relativa. Estou a pouco mais de 1 semana do Triathlon Half Iron de TH3 Caiobá e o que sinto é que as ansiedades passam a ser bem diferentes.

No ano passado, a grande ansiedade no ano passado era saber ser eu era o capaz de terminar provas longas. Eram dúvidas sobre a própria capacidade de endurance, assim como a funcionalidade dos equipamentos e a eficiência da nutrição e hidratação nesses eventos. Nesse ano, é tudo diferente, já há uma referência para tudo na minha cabeça e no meu corpo. Como no caso do Meio Iron de Caiobá e a Maratona do Rio, são provas teoricamente idênticas que serão feitas novamente. E aí o desafio é melhorar. E a medida que mais resume tudo é o tempo. Ou seja, esse ano, meu objetivo é fazer essas provas mais rápido que no ano passado. Nada de anormal, muito pelo contrário, super normal esse tipo de objetivo.

Mas sabe como é a cabeça né.....ela viaja...

Nesse momento, na segunda semana anterior a prova é quando os treinos estão no pico. E nesse ano, os treinos não estão focados no endurance, mas fortemente direcionados para o aumento da performance. Mais velocidade em tudo!!! Nadar mais rápido, pedalar mais rápido e correr beeemm mais rápido. A cabeça e o corpo já estão cansados. A performance nos treinos já começa a cair. As dores começam a surgir. E o nosso pior inimigo, nós mesmos (!!!) começa a achar que as metas de tempo foram agressivas demais e que a performance não será tão boa.

Chega a ser ridículo, mas é verdade. Cabeça e corpo cansados são cruéis. Junte-se a isso que quando se está muito cansado, fica difícil até descansar, os tempos de sono profundo diminuem assim como o batimento em repouso aumenta. Ou seja, para se descansar a mesma coisa, precisa-se de mais tempo. E arranjar mais tempo é sempre complicado na vida de um atleta amador.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

High and Low....at the Lows, big learning opportunities


My Coach Raul Furtado after my flat at our Training Camp

A vida de atleta amador tem altos e baixos como a nossa vida normal. Até aí... muito óbvio. Mas na vida do atleta os baixos estão fortemente ligado às lesões ou algum tipo de fraqueza ou deficiência do nosso corpo. E aí a casa cai...

Cai porque a cabeça fraqueja. Os pensamentos negativos vem em enxurrada. Não conseguimos completar os treinos nem nos volumes e muito menos nos tempos que deveriam ser executados. Com isso a performance cai. E tudo isso gera desânimo.

As lesões mais leves ocorrem com freqüência nos momentos de mudança de fase dos treinos. Especialmente quando saímos de uma fase de menor volume para maior volume.
Encarar essas lesões com positividade e investigação é fundamental. Entender se  há algo específico que está causando aquela lesão. Algum erro de postura, algum tipo de compensação por causa de alguma fraqueza muscular, uma mudança de alimentação, falta de sono, algum remédio novo, mudança de algum equipamento ou necessidade de troca de equipamento. Enfim são inúmeras as possíveis causas.

Dá vontade de xingar o corpo, tentar ignorar e seguir o plano. Mas essa não é definitivamente a melhor atitude.

As dores e as lesões, principalmente as menores, são avisos do nosso corpo de que tem algo que não ta funcionando direito.

Nesse momento tô sentido dores.

Começou com dores no tendão de aquiles no final do ano depois de subir uma mega pirambeira com a Querida (MTB que fez o Caminho de Santiago) de Paraty até Cunha. Foi um pedal duro pelo calor e por trechos muito longos sem alívio na inclinação oscilando entre 8% até coisas acima de 20%. Não senti nada durante mas com certeza o fit da Querida não estava legal. As dores no tendão de Aquiles vieram acompanhadas de uma leve contratura na panturrilha direita. Passei uma semana cuidando e estava tudo certo.

Só que no final de semana num treino de corrida que deveria ser um pouco mais longo (15km) tive uma travada forte na panturrilha oposta (a esquerda!!!) com uns 40 minutos de treino num ritmo tranquilo. Aí começa a dor de cabeça. Parei, tentei alongar, seguir a diante, mas vi que não dava. Estava há uns 2km do ponto de ônibus mais próximo e sem celular. Fui andando com calma até conseguir pegar um ônibus para voltar para casa. Por mais incrível que pareça, o nosso corpo é famoso por fazer as famosas "compensações". Era um problema identificado na panturrilha direita (na semana anterior) mas que "estourou" num novo problema na panturrilha esquerda.

Bola pra frente...

Ao longo da semana, fisioterapia, alongamento, bolsa de água quente e treinos mais leves para poder recuperar a panturrilha que travou. Tudo certo para encarar o treino de corrida mais longo do final de semana. E assim fui para fazer os 17km. Fui bem tranquilo e me sentido solto até que com uns 5km de corrida, de repente a minha panturrilha esquerda trava de novo. O mais estranho é a contratura repentina sem nenhum aviso. Não parece um fenômeno de origem muscular, mas uma falha na comunicação neuro-muscular. E com isso na cabeça. Parei, respirei, andei um pouco e decidi seguir o meu treino. Pensei comigo..."se os músculos estão bem, eles vão funcionar na marra...". E assim fui, manquei no começo, corri meio torto e depois o corpo encontrou a sua forma de criar as famosas "compensações" pra panturrilha desobediente. Completei os 17km e paguei por isso... As compensações funcionam, mas sempre cobram o seu preço.

Passei o dia todo sentindo dores em ambas as pernas a também na lombar. Dia seguinte, fisioterapia. Juntou a isso uma viagem de trabalho, mais tempo em pé do que o normal, cadeiras diferentes, cama diferente, chá de aeroporto, etc. Mas acho que teve uma "gota d´água que entornou o caldo", passei muito frio por umas 2-3hs no primeiro dia em que cheguei. Frio de ar condicionado, sentado ouvindo uma palestra. Fiquei com o corpo contraído por muito tempo. Ainda tentei me exercitar nos dias em que estava viajando, mas consegui fazer apenas de forma limitada.

Resultado final: quarta feira a noite comecei a sentir muita dor na lombar. Até para dormir foi difícil. Quinta não achava uma boa posição para ficar sentado. Tava bem ruim.

E o que mais me incomodava nessa história, além das dores, era estar acontecendo sem um grande volume de treinos. Sei lá, essas coisas nunca acontecem por um único motivo, mas por uma conjunção de fatores, mas mesmo assim eu não me conformava.

No final de semana, teria uma prova de Audax 200k em Queluz, que já estava inscrito e me comprometido a fazer com o meu amigo Alex. Pensei muito e acabei decidindo por desistir de participar dessa prova. Era uma região que queria conhecer e uma organização de Audax paulista que tinha ouvido falar muito bem. E seria uma prova pra fazer juntos. O embrião de uma parceria com um camarada no ciclismo que eu ainda boto muita fé. Mas sendo pragmático, a chance de eu não aguentar completar a prova, puxar o ritmo de pedal para baixo, de piorar a minha lesão e realmente comprometer a minha temporada de forma mais séria eram muito grandes. E numa prova que classifiquei na minha temporada com tipo C (menos importante).

Assim sendo. Decidi repousar. Depois da fisioterapia de sexta a dor aumentou muito (isso é normal, sempre piora antes de melhorar) e no sábado só tive coragem de sair da cama depois das 11hs (acho que não faço isso há muitos anos). Mesmo assim, ainda com dor. Tive a certeza de ter tomado a decisão correta ao não participar do Audax. Só fui começar a melhorar, sentir menos dor na noite de sábado. Domingo me senti melhor.

Segunda decidi fazer musculação e nadar um pouco. Mas ainda sentindo incômodo, tive dificuldade de fazer as viradas na piscina. E durante o dia, fui ao osteopata. Bingo....ele achou o problema central...as minhas vértebras da lombar estavam machucadas, tinham perdido a mobilidade. Ou seja, algumas vértebras não estavam funcionando como vértebras, estavam unidas como se fosse uma "peça" rigida, fazendo que os músculos, tendões e nervos sofrerem pela perda de mobilidade.

Recomendação: repouso durante 2 dias. Vida normal, porém sem exercícios físicos. Muita bolsa de água morna para ir soltando e acelerar o processo de recuperação. E obviamente, passei por uma boa sessão de mobilização dessas vértebras. Ou seja, muita dor para depois começar a melhorar.

Dois dias depois, já me sentindo bem melhor consegui fazer a minha série completa de musculação e funcionais sem dor.

Depois de uma semana, ainda voltei novamente no osteopata. A lombar estava muito melhor, mas o o tendão de aquiles ainda me incomodava um pouco.

Voltei aos poucos a minha rotina normal. Mas foi um susto, fiquei muito encucado com dores que mesmo no pico da temporada passada não tinha sentido. Pensei muito sobre os motivos, e entendi que essa fase de inicio de aceleração do ritmo é muito muito propícia a lesões. Que a fisioterapia de soltura dos músculos ("feijão com arroz"), deve sempre continuar em paralelo a outro tipos de fisioterapias como a osteopatia e o RPG. Outra coisa importante que aprendi, é em relação a simetria do corpo. O que quer você faça, tente ser simétrico. Se só dá para fazer para um lado, tenta fazer para o outro também. Mesmo que tenha dificuldades no começo, vale a pena. Principalmente nos esporte de endurance, onde os movimentos repetitivos são muito longos, vale a pena se policiar sempre se está forçando algum dos dois lado (e agente sempre está, pois tem um lado preferido, mesmo que inconscientemente). Um exemplo claro é a respiração na natação. A gente sempre prefere um lado para respirar nas competições, mas nos treinos, respirar para os dois lados (não numa mesma série) vale sempre a pena.

domingo, 10 de janeiro de 2016

The Season of 2016


"Taiki" ou "Grande Brilho"

Há praticamente 3 anos, tenho buscado desafios esportivos cada vez mais duros. Com isso, obviamente, o volume de dedicação vem num crescente. Com isso o gerenciamento de tempo entre minhas atividades profissionais, familiares e sociais começava a se tornar uma tarefa estressante. Muitas vezes já não estava mais curtindo os treinos. Durante a semana, acordar 10 minutos depois do alarme já bagunçava o meu planejamento. E nos finais de semanas, os treinos, incluindo o pré e pós-treinos, podia durar até umas 7-8 horas, isso com treinos no sábado e domingo. Raramente, tinha algum dia de descanso. Os treinos eram de domingo a domingo.

Normalmente, sozinho. O treino solitário acaba sendo mais eficiente em termos de consumo de tempo. Pois não há a necessidade de conciliar agendas ou ritmos de treino. Além do mais, provas de endurance, são provas muito solitárias que dependem de uma energia interna muito própria.

Muitas vezes me perguntaram quanto tempo "gasto" para me dedicar ao esporte. Se vc for contabilizar apenas os tempos dos treinos propriamente ditos, seriam algo como 90 minutos por dia durante a semana, e, na média, umas 3 a 5 horas de treino no sábado e domingo.

Adicione-se a isso a necessidade de alongamento no pós-treino, assim como fazer fisioterapia semanalmente para tratar das pequenas lesões antes que possam virar um problema mais grave. E de tempos em tempos, ainda rola umas idas ao osteopata, pois a sobrecarga sobre a nossa coluna, acaba sendo muito grande e sempre aparece uma dorzinha. Isso sem contar com as sessões de bolsa de gelo e/ou água quente que me acompanham no carro, no trabalho, ou em algum outro lugar.

Adicione-se ainda os tempos de locomoção para as áreas de treinos no final de semana que nem sempre é perto de casa e muitas vezes é fora da cidade. 

Só que o treinamento esportivo vai muito além do que o tempo nadando, pedalando, correndo ou fazendo exercícios de fortalecimento. É preciso dormir no mínimo 7 horas (o ideal seria em torno de 8h, mas raramente, conseguia, pois a minha média antes era de pouco mais de 5 horas). É preciso se alimentar com horário regular e um mínimo de nutrientes. Eu comia uma 7 vezes ao dia, sendo 2 refeições completas no almoço e jantar. O almoço sempre na rua, mas o meu jantar normalmente sou eu quem faço. E deveria ter uma quantidade mínima de carboidratos e de proteínas. E se eu deixasse de seguir, o preço vinha com uma má execução do treino ou um cansaço acima do normal ou até uma doença. Fora a quantidade de líquidos e sais que eu deveria ingerir ao longo do dia.

Descrevendo assim, essa rotina por si só parece estressante. Mas acaba sendo um modo de vida, onde tudo acaba acontecendo de uma forma natural e prazerosa.

Não quero abandonar esse "modo de vida". Gosto disso, me sinto bem, hoje com 46 anos sou mais saudável do que há 5 anos atrás. Mas quero reduzir o volume de treinos. Não quero perder o prazer pelo esporte, ou melhor, por esse modo de vida.

Nessa nova temporada, de 2016, vou me inscrever em menos competições. Vou me dedicar mais ao desenvolvimento da técnica. Serão menos provas e mais treinos. Especialmente na corrida. É onde acho que consigo tirar o maior ganho de performance. Sou leve e tenho uma endurance razoavelmente bem desenvolvida. Preciso melhorar muito na técnica e na crença de que posso correr mais rápido.

Dessa forma decidi que não vou fazer um full Ironman esse ano. Mas farei 2 Maratonas e 1 ou 2 Meio Ironman. E com a premissa de poder curtir de tudo um pouco mais esse ano, meu filho, meu trabalho e meu esporte. Até a minha namorada ;)