segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Everything Worked Out -- Berlin Marathon



Crossing the Finish Line

Foi uma preparação diferente. Como já era uma segunda maratona no mesmo ano e uma prova essencialmente plana, e portanto "rápida",  meus treinos não foram tão longos mas foram muito focados em tiros para melhorar a minha velocidade. No começo, fiquei meio inseguro pela falta de volume, mas, como sempre, confiei no meu técnico, Raul Furtado. E assim segui minha rotina de treinos.

Cheguei bem em Berlin, sem lesões, com a cabeça tranquila, uma boa viagem e sentindo um ótimo clima na cidade, no hotel que fiquei assim como no seu entorno.

Fui pra um hotel/flat que tinha uma pequena cozinha no apartamento. Descobri um supermercado perto muito legal e assim pude montar uma base bem legal e confortável. Aliás acho que essa é uma estrutura ideal para provas em países diferentes. Ter uma pequena cozinha, pelo menos pra mim, me traz conforto e me faz sentir em casa. Ter minha geladeira com meus iogurtes, sucos, isotônicos, etc. Assim como poder fazer um sanduiche ou pequenas e simples refeições. Ficar dependendo totalmente de restaurantes ou de serviço de quarto para comer, acho muito ruim. Ainda mais que nessa vida de atleta, a gente acaba comendo muitas vezes durante o dia.

A seguir o meu texto escrito logo após a prova, ainda com as emoções a flor da pele...

Uma maratona é sempre uma aventura. As provas longas são duras. É um sofrimento com requinte de crueldade justamente porque são longas. Uma maratona testa além de sua resistência a sua paciência e sua tenacidade.

Pra mim, já não é uma questão de ir devagar e sempre mas sim "será que aguento esse ritmo até o final". Assim é o esporte de endurance, um vôo rasante em que você quebra se forçar demais ou não atinge seus objetivos se forçar de menos. Além do domínio e força mental é necessário um profundo auto conhecimento.

Acho que fiz tudo que podia. Fiz tão bem e tão feliz que até acreditei que podia acontecer um milagre. Quebrei meu recorde pessoal mas achei que podia ter ido melhor. Rolou uma certa decepção mas já quase me conformei.

Milagres no esportes não existem. Coisas dão certo ou dão errado. Hoje tudo deu certo. Mas o tempo achei que poderia ter sido melhor, mas "foi o que foi".

A prova foi linda. Num clima emocional fantástico. Numa temperatura e umidade ótimas. Uma prova gigante com mais de 41 mil inscritos e uma organização germânica.

Chorei de felicidade na largada e em mais um ou dois momentos de derramamento energia boa. Toquei na mão de todas as crianças que consegui pra lembrar do meu filho. Como aquilo me deu forças!!! As crianças têm muita energia boa e parabéns para os pais que os levam pra esse tipo de ambiente incentivando o gosto pelo esporte.

Agora são 5h da manhã. Não consigo mais dormir. Fiquei enrolando desde as 21h pra conseguir dormir somente depois de meia noite. Já fiquei enjoado, com dor de barriga e finalmente com fome.

A endorfina circulando é muito grande mas as dores nas pernas e o mal estar não te deixam sair muito do lugar. Muita coisa passa na minha cabeça em alta velocidade e com alta volatilidade. Já pensei em nunca mais fazer um maratona como já também já pensei na próxima.

Meu técnico, Raul Furtado, tinha planejado uma prova dividida em 3 partes. Como ele mesmo disse, "faça as duas primeiras partes com a cabeça e a última com o coração". Eram duas parte com 15km cada que totalizavam 30km e uma parte final com 12km, nessa sequência. Era como levar o corpo de forma mais técnica possível nos primeiros 30km e depois deixar a emoção levar nos últimos 12.2km.

Cumpri a risca o plano. Fiz uma execução perfeita monitorando meu batimento e meu movimento nos primeiros 30km. E nos últimos 12.2km fui pura emoção, corri só no sentimento, ouvindo o meu corpo e sentindo a sua energia. O meu Garmin que foi meu "chefe" nos primeiros 30km nem recebeu o meu olhar nos últimos 12.2km.

Corri solto e o mais rápido que pude. E assim cruzei a linha de chegada com 4h 24m. Por um bom tempo fiquei perto do pacer de 4:15h por algumas vezes até fiquei na frente dele mas eu o perdi em algum ponto de hidratação.

Aliás, na minha auto avaliação foi o único ponto que acho que poderia ter sido melhor executado. Tive que desacelerar muito nos pontos de hidratação. Era muita gente pra chegar nos copinhos. E depois muitos copinhos no chão junto com o líquido derramado deixam ora muito escorregadio ou muito grudento. Ou seja além de diminuir o pace tinha que ter cuidado na reaceleração. Isso além da perda de tempo acaba causando um desgaste maior para o organismo.

No final fiquei feliz com o resultado. Fiquei conformado. A sensação de ter entregue durante a prova tudo que podia ter entregue me deixou conformado. Durante o ano, cheguei a achar que poderia fazer ainda nesse ano uma maratona abaixo ou bem próximo de 4h. Tive a certeza de que não foi possível. Talvez pudesse ter sido alguns poucos minutos melhor. Mas certamente não seria 10, 15, 20 e de jeito nenhum 24 minutos a menos. Difícil falar de futuro, mas num futuro próximo acho que não baixo essa marca, pois o ano de 2016 foi o ano que mais me dediquei a corrida. Ano que vem já será diferente. Terei menos corrida.

Mas a vida é assim. Nem sempre a gente atinge o que pensa que pode atingir. E isso não deve ser motivo de tristeza, talvez um pouco de frustração. Mas nem sempre o erro está na execução, mas na construção dos objetivos. Talvez objetivo de sub 4h fosse irreal pra mim nesse ano. Por ora estou feliz e conformado. O erro foi no sub 4h como meta. E não, o não atingimento.

Que venham mais provas!!! E, principalmente, mais treinos!!!!









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